terça-feira, 20 de dezembro de 2011


O chão era bonito, tinha um ar antigo, empoeirado. A cama meio bagunçada, livros espalhados no chão,um ventilador no canto esquerdo, amenizando o ardor daquela tarde.
Nós deitados ,corpos espaçosos ,mãos por entre cabelos, carinho aqui/acolá, conversa aqui-conversa acolá. Amor entre nós tem sido companheirismo, eu enxugo tuas lágrimas faço-te carinho pouco como sempre o fiz, na tentativa vã de acalmar teu peito sofrido, meu corpo cansa desse ritmo, dessa valsa tão mal ensaiada que foi a nossa. Você com toda cautela ia me mostrando cada pedaço significativo daquele lugar bonito e que é só teu, e é tão sozinho mesmo com tua presença todos os dias.
Teu quarto sente saudades de uma flor linda que nele um dia  brotou... Uma flor que encardiu teu lençol, e até hoje mora entre estas paredes tristes e tão enfeitadas que são as paredes do teu quarto. Parece que o chão clama , pede a volta:

 _Volta flor... enfeita meu jardim preto-e-branco, torna este lugar agora abandonado em lugar bonito e alegre outra vez, me faz lembrar tudo o que aconteceu entre flor e eu.
Na TV, no livro,em meus dedos tudo me lembra você, flor despida ,enraivecida ... Deixaste teu aroma de flor egoísta,flor anarquista, flor exaurida.

Teu quarto vive a te perturbar, ele não te deixa sonhar com outras flores porque ainda há presença desta  em teu cantinho.


e
eu
aqui de olhos
fechados te desejo um
boa
noite,
mesmo lembrando da nossa

despedida.
.
  .. .
. .
...... .
. . .      .   ..
.. .


Adeus a ti, flor egoísta.

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